[CARREIRA] Como escolher um foco para minha carreira em desenvolvimento?

Resumo do textão: Me sinto paralisada diante das várias possibilidades de carreira como desenvolvedora e não sei como encontrar um foco para subir de nível. Gostaria de conselhos sobre como escolher um caminho.

Talvez esse tópica tenha um tom de desabafo, então peço desculpas de antemão.

Não é a 1ª vez que tento transição de carreira para tech e estou meio em crise existencial (de novo) em relação a isso. Fico perdida com as diversas possibilidades, com tantas tecnologias diferentes, tantos caminhos para seguir…

São muitas linguagens, stacks, frameworks. Posso trabalhar com UX/UI, desenvolvimento web, de software, front-end, back-end, full-stack, etc. Fico paralisada (já ouviram falar de paralisia da escolha? quando há muitas opções, a gente não consegue escolher) e isso acaba me desmotivando.

Sinto que a melhor solução para mim é experimentar várias coisas e ver com qual delas tenho mais afinidade. Mas também não quero perder mais tempo. Não tenho mais 20 anos… Quero um trabalho que me permita me sustentar, e quero construir uma carreira de sucesso. Sempre que vejo profissionais experientes aconselhando quem está no começo dessa área, eles dizem que o ideal é focar em um caminho específico, escolher uma stack / framework e ficar muito bom naquilo, caso contrário você nunca vai sair do nível básico.

Então eu gostaria de saber da galera mais experiente: o que vocês acham disso? Como posso escolher um caminho em meio a tantas possibilidades? Como encontrar um equilíbrio entre a busca “experimental” e o foco necessário para conseguir construir minha carreira?

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Cristiane, boa tarde!

Imagino como deve ser angustiante passar por isso, pois eu também passei pela mesma coisa. Atualmente estou trabalhando, mas também no processo de transição, e depois de muito refletir sobre qual caminho seguir eu posso te dizer que pela primeira vez estou de fato confiante que estou em um caminho correto.

Falando de forma muito direta, comecei meu raciocínio avaliando alguns critérios, quais sejam:

  • Escolha de uma stack: Front end, Back end, ou Fullstack
  • Escolha de uma linguagem de programação
  • Escolha de um framework (ou frameworks)

Agora vou explicar cada um dos itens acima, e minhas motivações.

  • Escolha da stack: Frontend, por uma simples questão de avaliar que seria um caminho mais simplificado para ter uma porta de entrada no universo tech;
  • Escolha de uma linguagem: Javascript, pois além de ter uma comunidade mais ativa, é uma das linguagens mais utilizadas atualmente dentro do desenvolvimento de aplicativos na web;
  • Escolha de um framework: Este item está diretamente ligado à escolha da linguagem. Javascript, por possuir uma comunidade ativa e ser uma linguagem bastante utilizada, te oferece a possibilidade de, através de uma única linguagem, poder explorar tanto o Frontend quanto o Backend. Portanto, com uma única linguagem você pode adquirir mais competências e evoluir na sua carreira dentro do desenvolvimento.

Espero ter ajudado nesse processo, sem tentar aqui dizer o que seria uma resposta definitiva, é apenas o que funcionou pra mim e desde que tomei essa decisão só venho evoluindo. Estou torcendo para que encontre o seu caminho também, e vamos trocar mais ideias pois todos estamos no mesmo barco!

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obrigada por compartilhar sua experiência, @igormjalves :slight_smile:

Acho que então estudar o mercado é uma boa estratégia. Se bem que isso também muda muito. Também vou pesquisar mais sobre cada caminho possível. Se eu revirar os olhos com algum, já sei que não é pra mim hahaha

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Olá, @cristiane.dsc - essa deve ser uma dúvida comum para todos que estão iniciando nesse universo tech. Na minha visão, até mesmo antes de pensar nesses tópicos, digamos, mais objetivos, tem uma decisão ainda maior a ser tomada. Como você se vê atuando na área de tecnologia? Qual é o seu objetivo? Você pretende usar a tecnologia como instrumento para empreender, trabalhar por conta própria, ou você se vê buscando uma vaga em alguma empresa? Se você estiver se perguntando o porquê dessa minha abordagem, a resposta é simples.

Se a sua intenção for trabalhar por conta própria, você realmente terá domínio de todos esses elementos que agora te causam tanta dúvida. Faz sentido você se preocupar com área de concentração, linguagem, tecnologias e tudo mais. Agora, se você busca empregabilidade, eu acredito que a única coisa que realmente resta no seu domínio é qual área de concentração escolher. Explico.

Uma vez decidida em qual área atuar, quando trabalhando para outras empresas, serão essas instituições que definirão quais linguagens e tecnologias serão adotadas. Ainda mais importante é lembrar que até mesmo as escolhas feitas por essas empresas podem sofrer mudança.

Vamos imaginar que você tenha como objetivo ou sonho trabalhar com UI/UX no Spotify. Legal! Aí você descobre que hoje eles estão usando Figma para criação de layouts. Você vai lá e aprende Figma para poder se candidatar à vaga. O que te garante que, logo após ser contratada, eles não estejam já em processo de mudança de ferramenta/tecnologia para ser utilizada em um novo projeto? Não há certezas e seguranças quando o assunto é o ferramental a ser utilizado.

Se o seu objetivo é trabalhar com desenvolvimento, por exemplo, para front-end, esteja preparada para forar nos fundamentos: estruturação, estilização, design adaptativo, otimização da renderização, e por aí vai, porque mesmo que eles utilizem uma linguagem que você domine, você não tem garantias quanto a qual arquitetura, metodologia, framework ou ferramenta a empresa vai utilizar. Espero de alguma forma ter ajudado.

TL;DR
Esteja sempre preparada para aplicar os fundamentos sólidos que você pode adquirir nesse início de jornada e pronta para se adaptar a todo o restante.

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Obrigada pelos conselhos!

O que você disse faz muito sentido e me parece uma abordagem bastante estratégica.

O que eu quero é um emprego estável CLT mesmo, mas não tenho nenhuma empresa favorita em vista. Inclusive acho isso um pouco limitante. Por que focar em uma empresa X se existem tantas oportunidades de tantas empresas diferentes? No entanto, seguir esse caminho de primeiro escolher a empresa pra depois aprender as tecnologias que ela usa é bem mais prático do que ficar andando em círculos igual uma barata tonta, como estou agora hahahah :joy:

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Dificil questão @cristiane.dsc! São escolhas tão pessoais que temos receio de arriscar uma sugestão. Compartilho em algum grau da sua angustia. Temos medo de estar perdendo tempo, tempo precioso.

Acho que de alguma forma as ferramentas relacionadas ao desenvolvimento de softskills podem te ajudar. Compartilho algumas muito ricas no post abaixo. Queria poder arriscar algo mais para te falar mas é muita responsabilidade.

Acho que vale pensar na dica do prof. Clóvis de Carvalho. Ele diz (muuuito resumidamente aqui) que se você descobrir algo que você goste, algum ‘lugar’ onde você gosta de estar, então busque estar nesse ‘lugar’ o mais tempo possível. Se você descobrir algo que possa ser ‘a sua praia’, fique nela o mais tempo que puder.

Deixo uma poesia minha (desculpem a pretensão) só porque foi feita em cima desse sentimento, quando pensei nas coisas que iniciei e não terminei:

Quero ser herói

Quero ser um herói,

Se jogo tênis, ser campeão,
Se escritor, quero um Jabuti,
Sem sucesso antecipado, nem começo,
Sem sucesso nunca termino.
Como posso viver assim,
Sem que todos saibam de mim?

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Aprendendo HTML, CSS e JavaScript vc consegue aprender qualquer coisa. Sim, existem vários frameworks por aí, mas vc n vai ter tempo de estudar todas, mas sabe o que vc pode fazer? Se surgir uma necessidade de usar alguma delas na sua empresa, vc pode simplesmente ler a documentação e aprender a sintaxe. O JavaScript nao vai mudar de um framework pra outro. O if-else, o for/while, o Fetch API estarão lá da mesma forma.

Aprender HTML, CSS e Javascript não é ficar no básico. Se vc quiser mudar de vida mesmo e de carreira, não negligenciar esses três é fundamental.

Com HTML vc pode: aprender JSX, aprender PUG, etc.
Com CSS vc pode: aprender Tailwind, Bootstrap.
Com JavaScript vc pode: aprender qualquer framework / backend.

Imagina entrar numa empresa e n saber ler uma documentação e se adaptar em novas tecnologias porque não sabe como JavaScript funciona. O primeiro passo pra ser desenvolvedor é construir autonomia.

Se eu pudesse voltar no passado, estudaria sem medo nenhum de ser feliz:

  • HTML
  • CSS
  • SASS
  • JavaScript
  • Algoritmos
  • Estrutura de Dados
  • Node JS
  • NoSQL e SQL
  • RESTFUL API
  • PHP
  • Laravel
  • React - deixaria por ultimo.

Se eu olhasse alguns meses atras pra essa lista, eu faria o mesmo comentario. Como eu vou aprender isso tudo com essa lista enorme? Mas na verdade, essa lista faz sentido pra mim porque eu ja quebrei a cara diversas vezes tentando aprender e falhando. Alias, n tinha ninguem pra me dizer o que eu deveria estudar, apenas o Google e uns roadmap absurdos.

No final das contas, uma tecnologia complementa a outra. Um comeca e a outra termina. Essas tecnologias existem porque elas precisam de complemento, elas nao funcionam sozinhas. Quando vc pensa assim, as coisas ficam mais faceis de digerir.

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Não tinha olhado as coisas sob essa perspectiva. Realmente, com bases sólidas o resto a gente corre atrás né!

Essa lista aí é bem grande hein hahah :sweat_smile:
Tem que ter pique pra dar conta!

Muito obrigada pelas dicas!

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Olá Cristiane.
Eu acho que primeiramente você pode tentar descobrir dentre tantas possibilidades qual que se aproxima mais da sua personalidade e gostos pessoais.
Também pode mergulhar naquele campo onde existe mais demanda, por onde a tecnologia ira se desenvolver com mais vigor nos próximos anos.

Entendo as suas duvidas, mas acho que você deve definir um foco primeiramente. Depois que já estiver “la dentro” você vai se adaptando dentre as possibilidades.

Força, foco e Sucesso! :rocket:

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Complementando essa informação do @mirandalux , estudar Algoritmo e Logica de Programação eh fundamental!

Conhecimentos que te ajudarão em QUALQUER linguagem de programação e base que te acompanhara ao longo de toda sua carreira profissional em Programação.

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Não sou a pessoa mais experiente na parte de carreira, mas como aluno convivo com muitos professores que vivem nesse mundo a anos e uma virtude importante que pude abstrair é ser paciente, aprender e entender programação leva tempo. Se especializar te ajuda a definir um escopo e afunilar onde quer começar a aprender, fortemente lhe recomendo ter mente aberta ao aprendizado, experimentar vai lhe trazer maior segurança sobre seus gostos e conhecimento variado lhe da uma enorme vantagem na hora de encarar problemas. Nossa área precisa de pratica, é difícil aprender do dia para noite, ter frequência na pratica e no estudo, é uma grande ajuda nosso desenvolvimento. Não precisa se apegar a frameworks, eles são apenas ferramentas, a fala de um professor que me ilustrou isso, foi: “Eles nos levam a resultados semelhantes de um objetivo, por caminhos diferentes”. Migrar sistemas de linguagem hoje é algo caro (Quem gostar de Java), mesmo depois de 30 anos ainda existem sistemas em cobol, porém dificilmente alguém vai lhe recomendar se apegar a apenas uma.
Ps: Uma dica sobre linguagens é entender os fundamentos, como: algoritmo, estrutura de dados e paradigmas, pois tornam a aprendizagem mais fácil.

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Eu também tenho essas dúvidas, porém, hoje são bem menores, porque vi muitos vídeos de canais sobre programação no YouTube e fui aprendendo mais sobre as linguagens. Tem muita coisa legal lá de pessoas que já passaram pelas mesmas coisas que nós.

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Bom Dia, devido há excesso de informações e possibilidades de carreira é normal esse desconforto. Venho da Eng, estou em transição de carreira.

Assim como você possuo muitas dúvidas, porém acredito muito que com disciplina e sensibilidade de buscar conhecimentos, através de canais que sustente não o processo ilusório e sim a realidade de desenvolvimento profissional.

Isso é uma dica que uso para tudo o que venho realizando, a internet está nos auxiliando com muito conhecimento, porém analisar o que é de valor e o que faz mais sentido para você é a grande sacada. Hoje me identifico muito com JavaScript, Type e React. Mas acredito que esta fase é só o inicio e que como qualquer evolução mais para frente acredito que o os caminhos irá nos trazer mais possibilidades.

Gostei muito deste video, é importante dimensionar suas expectativas e metas, curto e longo prazo.

Boa jornada a todos, a dúvida faz parte da evolução!

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Excelente!!

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Muito boa a dica do vídeo! Obrigada!

Falam muito sobre encontrar algo com que tenho afinidade, mas para isso eu preciso experimentar, aí cai no mesmo problema do tempo. Acho que a estratégia da empregabilidade é uma boa solução.

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O vídeo é ótimo, obrigado por compartilhar…

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O tempo pode ser teu inimigo ou companheiro, vai depender de como você lida com ele.
Não existe receita pronta e nem solução a curtíssimo prazo. Sim, infelizmente (ou não) você levara tempo ate encontrar o seu “nicho” perfeito pois isso varia de pessoa para pessoa, das experiências pessoais de cada um, etc. Você precisara experimentar.

Qualquer profissional que hoje esteja em um cargo, empresa ou função que gosta e e valorizado teve que lidar com o tempo e as experiências ate chegar ali. Não existe atalho.

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Mas pode ter certeza que as empresas que contratam “CLT estável” têm profissionais favoritos em vista.
:smiling_imp:

Estamos em 2022, e a realidade Brasil mudou desde os vídeos e artigos de 2020 ou 2021 sobre o tema.

A “onda” da vez, salvo obviamente as exceções, está assim:

  • Empresa de maior porte oferece basicamente vagas CLT, a preferência óbvia dos candidatos brasileiros, e com mais benefícios ou melhores salários a cada dia.
  • Empresa de pequeno porte, oferece vagas PJ. Não confundir com B2B, digo emprego por contratação PJ mesmo, após a reforma trabalhista isso ficou legalizado e não mais uma burla como antes.

As pequenas não têm orçamento ou estrutura pra bancar contratações CLT, então oferecem a outra e única opção, são a já conhecidas vagas informando “contratação pj” na descrição (quando informam). Mas como são pequenas, os salários são também menores. Se a média salarial por CLT em empresa grande é 4 mil pra júnior, na pequena vai ser isso ou até menos, mas como PJ, jogando o líquido final mais pra baixo.

O que ocorre é: as vagas em empresas grandes estão quase todas aceitando somente pessoal com experiência, o que na prática virou “PL/SR” (pleno/sênior), porque na crise o pessoal já chama júnior de novato também. Antes desse cenário aquecido, júnior era com pouca experiência, menos de 1 ou 2 anos. Hoje a coisa tá mais acelerada… com 6 meses a 1 ano não chamam mais de júnior, já estão chamando é de pleno. Digo “quase” porque como citei no começo, existem exceções.

Agora me responda: quem, em um cenário de “gap” no setor, com tremenda escassez de mão de obra, em 2022, com perfil pleno/sênior, está desempregado? Não tem. Se estiver, é por opção.

Isso pode ser traduzido facilmente assim: empresa maior, que oferece CLT, salário melhor e benefícios, quer plenos e sêniores que, via de regra, já estão trabalhando. O pessoal que já trabalha e tem um bom perfil, mesmo que pleno, recebe centenas de mensagens inbox no Linkedin com recrutadores, ou “head hunters” assediando pra ir pra outra empresa. Porque os contratantes desses recrutadores pedem pra eles encontrarem alguém com “experiência”, e obviamente eles não vão encontrar esse perfil dando sopa sem emprego por aí, terminando por tentar convence-los a trocar de cadeira.

Os novatos, como acredito ser a maioria nesse programa aqui, ficam com outras opções, como abrir um CNPJ e trabalhar por contrato PJ para empresa pequena e conseguir a tão solicitada XP (de fato e de currículo), conseguir um belo Q.I., que seria indicação de alguém de dentro de alguma empresa, mas aí tem que estar mesmo apto à vaga pra não queimar a indicação, ou… BOOTCAMPS, programas de formação, patrocinados por empresas grandes para recrutar e treinar novatos.

Claro que nesses bootcamps aparece gente que já tem bem mais conhecimento na área que outros, que terminam por pegar as primeiras colocações, mas pelo menos é uma forma bem mais justa e eficiente, em minha opinião, de injetar novato no mercado. Porque ficar contratando só gente que já trabalha, fazer eles ficarem saltando de empresa em empresa, não melhora em nada a deficiência de profissional de t.i. no país. Talvez até piora, porque os melhores profissionais dessas empresas estão tudo de olho em vagas no exterior pra receber em moeda mais forte. Aí piora ainda mais o cenário doméstico, com fuga de cérebros.

Tem que oxigenar o mercado com novatos. Não falta gente com vontade e capacidade. Programas de formação como esse aqui, deveriam começar a surgir aos montes. O setor precisa olhar melhor para os iniciantes e investir tempo e dinheiro treinando gente. De que adianta a galera fazer cursos e faculdades, se as vagas abrirem só pra quem já está trabalhando?

Mesmo com os contras, na minha opinião o melhor caminho em uma visão mais ampla, de setor e país mesmo, é programas de formação com contratação. Pra aumentar o número de profisisonais e aliviar o gap, em um país que está mais pra exportar talentos do que importar, a única forma é contratando novatos.

Por outro lado, não posso dizer que as empresas estão errando totalmente, porque quando vemos contratantes de TECNOLOGIA dando igual ou até mais atenção a “habilidades comportamentais”, dá pra sentir que temos profundos problemas culturais a resolver. Não é incomum pessoal mentir, burlar entrevistas, fazer corpo mole no trabalho, driblar jornadas, enrolar, prejudicar clima nas equipes, não ter compromisso com a tarefa nem com o cargo, etc. E isso sabemos, está em qualquer setor. E quando não existe a tal “fila de candidatos” em setor carente de profissionais, fica ainda mais complicado lidar com esses comportamentos. Daí não deve ser fácil selecionar pessoal mesmo.

Mas isso não muda o fato de precisar alimentar com gente nova. Na minha opinião, o que precisa melhorar bastante são os formatos de contratação, seleção, avaliação e treinamento. Pra pelo menos diminuir os problemas.


Sobre focar na carreira, infelizmente não tem receita de bolo mesmo. E nem ajuda tentar correr. Se você gosta de tecnologia em geral, qualquer uma deveria agradar, e deveria estar com aptidão a mudar o tempo todo se preciso, porque esse é o contexto do século, não mais aprender uma coisa e trabalhar só com ela pra sempre.

Essa dispersão de 5 milhões de linguagens / bibliotecas / frameworks / ferramentas a escolher é pra quem não está em um cargo, em uma equipe. Observa o Brinkedin lá… quem está “open to work” geralmente lista uma dúzia de techs e duas dúzias de conhecimentos, e não necessariamente domina todos. Quem está em um cargo e já trabalhando na área, lista umas 3 com as quais trabalha e só. Afinal, não precisa “ser encontrado” em pesquisas de recrutadores com palavras-chave, certo? Quando você está trabalhando vai naturalmente conseguir fluência em um conjunto de techs, não vai ficar usando 5 milhões de opções. E quando mudar, vai estar mudando de time ou a empresa vai trocar de tech. Dependendo da maturidade da empresa, você vai ter equipes específicas, vai ter times temáticos, vai ter sprints bem organizadas, esteiras de produção, mentorias, níveis e perfis com diversidade, etc.

O desespero é mesmo quando você está assim: adora tecnologia, ainda não trabalha na área, deu uma geral em várias, mas não atende todos os requisitos de vaga alguma, mesmo se tiver consciência de que se daria bem em qualquer delas, com a devida oportunidade, se te derem tempo pra se adaptar. É que não tem como a empresa saber disso, dados os problemas que citei, e nem todas estão preparadas pra treinar novatos.

Sobre o Javascript, seu universo é uma selva mesmo. Tem até piada sobre isso, algo tipo “a cada minuto, um novo framework Javascript é lançado” :joy: Inclusive a maioria, seguindo o estilo da própria linguagem, é un-opinionated, ou seja, você pode usar de inúmeras formas possíveis, sem um padrão restrito de uso. O que deixa o dev com mais liberdade, mas ainda mais tonto quando vai aprender, porque cada artigo, guia, tutorial, vídeo, vai mostar de um jeito diferente.

Se você for pro lado do Java por exemplo, não vai encontrar esse mesmo mar de opções aí, e encontra mais facilmente os padrões restritos de uso.

Mas não dá pra ter pressa. Se for experimentar tecnologias diferentes, é aos poucos. Se já gostar de cara de algum caminho, não vai ficar bom rápido.

Existem alguns conjuntos de requisitos que quase todos pedem. Dê uma passeada nas vagas oferecidas, veja os requisitos. Diversos deles são comuns, ou estão na maioria dos anúncios. Alguns você vai precisar ter uma noção, outros vai precisar conhecer melhor ao ponto de construir projetos e passar em possíveis testes técnicos de seleção. Faça uma “playlist” de assuntos pra estudar/aprimorar. Isso vai te deixar com melhor preparação não só para programas de recrutamento, mas para vagas avulsas também. Dá mais confiança pra dizer numa entrevista: “Olha, eu consigo produzir com as tecnologias A e B, e conheço um pouco de C, mas ainda não trabalho com D, tenho uma curva de aprendizado aí, mas posso entregar em algumas semanas.”

Embora seja uma área em tese toda exata, objetiva, quando se trata de pessoas, acaba dando lugar a um oceano de subjetividade, por isso não há receita de bolo.
:wink:


Edit:
Aqui uma pesquisa interessante sobre esse mercado de trabalho:

E aqui o G1 tem publicado alguns artigos mais no estilo de imprensa mesmo, mas também ajuda:

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Caraca, só li verdades…

Eu particularmente acho que programas de formação com possibilidade de contratação jamais deveriam ser anunciados como sendo adequados para iniciantes. Porque nunca são. Esse não é o 1º bootcamp do qual participo e nem o último. Estou muito perdida desde a semana 2. Bootcamps exigem que a pessoa aprenda um mundo de conteúdo do zero em poucas semanas e isso é humanamente impossível. Mas de qualquer forma a experiência é interessante e enriquecedora. Pretendo estudar no meu próprio ritmo por um tempo e depois fazer mais bootcamps, pra não desanimar.

Muito obrigada pelas dicas e conselhos. Vou ver os materiais indicados e refletir sobre tudo o que você disse.

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Recomendo os cursos da Jetbrains Academy. Alguns são grátis. Gosto porque são baseados em pequenas leituras onde cada lição trata de um conceito fundamental sem aprofundar demais, seguido de exercícios e perguntas e fechando co curso com um projeto totalmente orientado, dividido em fases. (Caramba, gostei do meu resumo. Vou tentar vender pra eles como peça de marketing hahaha)

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